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Associação de Valorização do Património Cultural e Ambiental de Olhão

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O Algarve e o Caíque Bom Sucesso

Em 1807, ocorre a primeira invasão francesa, chefiada pelo General Junot.

Um dia antes da chegada dos franceses a Lisboa (em 29 de Novembro de 1807), a Família Real acompanhada por cerca de 15.000 pessoas entre nobres e criadagem, parte para o Brasil, protegida pela Armada Inglesa, numa manobra política e jurídica que preservava simbolicamente a independência portuguesa.

Trata-se do único caso europeu em que uma Família Real se transfere da pátria - mãe para uma colónia. O impacto deste acto foi enorme para o Brasil, porque lhe daria a oportunidade, mais tarde, de se assumir tranquilamente como país independente.

Entretanto, a ocupação francesa iria sangrar Portugal até ao Verão de 1808, momento em que a expulsão das tropas napoleónicas se consumou.

Ao que parece, e como confirmou o Rei D. João VI mais tarde, a primeira ou uma das primeiras revoltas bem sucedidas, e que incendiaram o Algarve contra os franceses, ocorreu na então pequena aldeia de Olhão.

A bravura da sua gente foi de tal ordem que a Junta Suprema em Faro, criada após a expulsão dos franceses do Algarve, decidiu que seria um caíque desta aldeia a deslocar-se ao Brasil para levar a boa nova da expulsão dos franceses à Família Real.

Os caíques eram embarcações com cerca de 18 a 20 m comprimento e 5,5 m de largura, preparados para a navegação mediterrânica (pesca de anzol e cabotagem), mas que não tinham sido concebidos nem nunca tinham sido utilizados para atravessar o Atlântico.

O caíque “Bom Sucesso”, escolhido para a missão, partiu no dia 6 de Julho com 17 homens, numa viagem tremendamente arriscada, orientados apenas pelas estrelas, as correntes marítimas e um mapa rudimentar.

Estes homens tiveram de lutar contra o mar, as más condições de habitabilidade da embarcação, fugir da Armada Francesa e seus corsários, dos piratas, da fome e da sede!

A viagem incluiu apenas uma paragem na ilha da Madeira onde entrou mais um membro para a tripulação, e acabou a 22 de Setembro de 1808 (cerca de dois meses e meio) no Rio de Janeiro.

Este caíque esteve ainda durante muito tempo no Museu da Marinha do Rio de Janeiro, na Ilha das Cobras e, pelo menos em 1841, ainda era muito apreciado pelos visitantes.

Actualmente desconhecemos o seu paradeiro, sendo provável estar irremediavelmente desaparecido.

O rei, reconhecido pelo heroísmo da viagem marítima, e atendendo ter recebido a informação da expulsão dos franceses em primeira mão destes marítimos andrajosos, elevou a sua pequena e desconhecida aldeia a vila, em 1808, com o epíteto de Vila de Olhão da Restauração.

Estes homens hoje jazem sepultados na Capela do Nosso Senhor dos Aflitos (traseiras da Igreja Matriz de Olhão).